Indústria em 2026: saiba quais são as principais tendências e habilidades exigidas

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avalia que o setor produtivo chega a 2026 com avanços significativos no que diz respeito à inteligência artificial, à digitalização e à sustentabilidade. São três fortes tendências que sinalizam algumas transformações na indústria nacional e impactam diretamente o processo de produção, além de ampliar as exigências sobre profissionais e empresas.

O gerente de Educação e Tecnologia do SENAI Minas, Ricardo Aloysio, destaca que há avanços observados ao longo dos anos. “Mesmo que em ritmo mais lento do que a indústria brasileira esperava, essas tecnologias estão sendo implementadas. As indústrias que ainda não implantaram, certamente já estão com isso no radar. É um caminho sem volta. A Inteligência Artificial ainda não se firmou totalmente na indústria nacional — uso no chão de fábrica —, mas em outras áreas já avançou, como na administrativa, no marketing e no comercial. Os princípios do ESG também vieram para ficar, especialmente para atender requisitos de eficiência energética, redução de emissão e otimização da gestão ambiental”.

Além disso, as práticas relacionadas à ESG passaram a ser um núcleo de negócios, já que muitas empresas que competem globalmente precisam tê-las consolidadas para realmente atrair investimentos e atender as expectativas dos clientes. “Para vender para a maioria das indústrias do exterior, é preciso ter essas práticas muito consolidadas. Investidores externos, ou até mesmo aqui dentro do Brasil, só estão dispostos a aplicar aportes em empresas que têm essas práticas já firmadas. A consolidação dessas práticas atraem investimento e potencializam a empresa, principalmente fora do Brasil”, explica Aloysio.

“E, é claro que a redução de desperdício, do consumo de energia e a gestão de resíduos está diretamente ligada à indústria 4.0. Contudo, a temática ESG ficou um pouco fragilizada em 2025, pelo fato de o governo americano não ter dado prioridade à ele. Então, como os americanos não deram a atenção devida, e são os maiores mercados do mundo, essas práticas deram uma enfraquecida, não ao ponto obviamente disso não ser relevante, mas vale lembrar que os americanos não estão priorizando o tema como política”.

Desafios no setor 

A FIEMG entende que a indústria 4.0 no Brasil avança para a digitalização plena a longo prazo. “Quando falamos em digitalização plena, estamos tratando do conceito do sistema ciber físico de produção, que nem na Alemanha ainda se consolidou na plenitude. E no Brasil menos ainda. A adoção das tecnologias 4.0 em nosso país é desigual e as pequenas e médias estão em ritmos diferentes das grandes, principalmente das automobilísticas. A qualificação da mão de obra é um quesito que vai determinar se esse ritmo vai ser mais rápido ou menos rápido do que ele é hoje”, salienta o gerente de Educação e Tecnologia do SENAI Minas.

A preparação da mão de obra é essencial para que acelere esse processo. “Então, ao preparar mão de obra, até antecipando uma tecnologia, conseguimos acelerar a implementação. Se uma indústria consegue um recurso próprio ou externo para adotar uma tecnologia, mas não tem mão de obra treinada e especializada para atuar naquela tecnologia, ou a nova aquisição tecnológica vai ficar parada na empresa ou ela vai desistir e adiar a implementação da tecnologia”, detalha.

Competências e habilidades profissionais na indústria 

As competências e habilidades centrais que um profissional precisa ter, independentemente da área de atuação na indústria, são as técnicas.

O gerente de Educação e Tecnologia do SENAI Minas explica que a competência técnica varia de acordo com a área de atuação do profissional, seja na de automação, sustentabilidade ou na ciência de dados.

“Além das técnicas, é preciso ter ainda as competências transversais, que são basicamente as socioemocionais: soft skills. Um exemplo é o profissional que tem pensamento crítico e é capaz de solucionar problemas complexos. Essa é uma competência muito importante, independente da função ou do cargo que essa pessoa ocupa. Então, hoje, uma pessoa que é da engenharia tem que conversar com a pessoa da TI, que tem que conversar com com a pessoa de operação, de sustentabilidade, enfim, com a alta gestão. Portanto, esse trabalho colaborativo e multidisciplinar é importante”, explica Aloysio.

Relação entre as pessoas e a tecnologia

O gerente de Educação e Tecnologia do SENAI Minas lembra que a indústria 3.0 automatizou os processos produtivos e realmente estava relacionada à redução dos postos de trabalho. Mas, segundo ele, como a indústria 4.0 diz respeito à digitalização, talvez ela seja a mais inclusiva das revoluções industriais.

“A 4ª Revolução Industrial não prega a retirada do posto de trabalho, mas a digitalização, a inteligência, a geração de dados e a utilização deles na função do profissional da indústria. Ela ainda mantém a relação do ser humano com o equipamento. Então, não é a troca ou a substituição do operador por um robô. Na verdade, é colocar o operador para trabalhar com o robô de forma colaborativa. O que muda essencialmente é o perfil de todo o chão de fábrica e de toda a área de liderança da indústria: sai de uma gestão simples e básica para uma gestão baseada em fatos e dados”.

“Então, o operador tem de estar habituado a trabalhar com dados, fazer pequenas análises, interpretar essas informações e fazer uma intervenção no trabalho que a máquina faz. E os líderes, ou seja, os supervisores vão controlar e otimizar toda a produção não com base apenas na percepção ou experiência que ele tem, mas sustentada pelos dados e fatos das análises de que o processo produtivo gera.

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Marina Rigueira
Imprensa FIEMG

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