FIEMG Regional Zona da Mata promove seminário sobre NR-1 com foco na prevenção de riscos e segurança jurídica das empresas

A FIEMG Regional Zona da Mata realizou, no dia 11 de março, em sua sede em Juiz de Fora, o Seminário Empresarial “NR-1: Empresas Responsáveis, Ambientes Seguros”, reunindo cerca de 250 participantes entre empresários, gestores, profissionais de Recursos Humanos, especialistas em Segurança e Saúde no Trabalho, advogados e representantes institucionais.

O encontro teve como foco central orientar o setor produtivo sobre os cuidados essenciais na implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), especialmente diante da ampliação de seu escopo, que passa a exigir das empresas a gestão estruturada dos riscos psicossociais e da saúde mental no ambiente de trabalho. A fiscalização terá início em 26 de maio, sem previsão de nova prorrogação.

Na abertura, a presidente da FIEMG Regional Zona da Mata e do Sindivest JF-GV, Mariângela Marcon, destacou a importância de tratar o tema com responsabilidade técnica e visão integrada. Segundo ela, a correta interpretação da norma e o alinhamento entre áreas jurídica, recursos humanos e segurança do trabalho são determinantes para evitar passivos e garantir segurança às empresas.

A advogada trabalhista Polliana Martins chamou atenção para um dos principais pontos de risco: a ausência de planejamento estruturado. Ela alertou que a inadequação à NR-1 poderá resultar em autuações, além de ampliar a vulnerabilidade jurídica das empresas em ações trabalhistas. “É indispensável que as empresas adotem uma estratégia clara de gestão da norma, com registro, monitoramento e evidências das ações implementadas. A falta de documentação pode ser tão prejudicial quanto a ausência de medidas”, enfatizou.

Riscos psicossociais exigem abordagem técnica e preventiva

O analista de ergonomia do SESI SST, Marcos Arruda Caetano, destacou em sua palestra que um dos principais desafios para as empresas está na correta identificação e avaliação dos riscos psicossociais. Segundo ele, a desinformação ainda é um fator crítico e pode levar à adoção de medidas inadequadas ou insuficientes.

Marcos reforçou que não basta reconhecer os riscos: é necessário estabelecer critérios objetivos, metodologias consistentes e acompanhamento contínuo. “A ausência de um diagnóstico bem estruturado pode comprometer toda a gestão de riscos e expor a empresa a questionamentos futuros”, alertou. Ele também ressaltou a importância de integrar essas ações aos programas já existentes, evitando sobreposição de processos ou inconsistências internas.

O médico psiquiatra Gustavo Saggioro, pós-graduado em Psiquiatria, Dependência Química e Dependência Digital, trouxe uma contribuição importante em sua apresentação ao evidenciar que a saúde mental, além de impacto humano, representa um fator direto de risco econômico e organizacional. Ele destacou que o aumento dos afastamentos por transtornos mentais exige das empresas uma postura preventiva e baseada em dados.

Entre os pontos de atenção, enfatizou a necessidade de evitar abordagens superficiais ou meramente formais. “Tratar a saúde mental apenas como cumprimento de exigência normativa pode gerar efeito contrário, aumentando riscos e fragilizando o ambiente interno. É preciso coerência entre discurso, prática e cultura organizacional”, explicou.

Fiscalização e diálogo: o papel do Ministério do Trabalho

Representando o Ministério do Trabalho, o gerente regional Sérgio Nagasawa reforçou que as normas regulamentadoras devem ser compreendidas como instrumentos de organização das relações de trabalho. Ele destacou que um dos erros mais comuns é a interpretação equivocada das exigências, o que pode levar a falhas de implementação.

Sérgio enfatizou que o órgão tem papel orientador, mas que a fiscalização será efetiva. Por isso, recomendou que as empresas busquem informação qualificada e mantenham diálogo constante com suas assessorias técnicas. “A construção de soluções passa pelo entendimento correto da norma e pela adoção de práticas compatíveis com a realidade de cada empresa”, pontuou.

O seminário também se destacou pela participação ativa do público, com questionamentos que trouxeram situações práticas do dia a dia das empresas, permitindo aprofundar pontos sensíveis da aplicação da NR-1.

Encerramento reforça continuidade do processo de aprendizado

Na palavra livre, o gerente da Escola SESI Granbery, Vander Montesse, anunciou às empresas o projeto RECRIAR, como uma iniciativa voltada à ampliação de oportunidades educacionais vinculadas ao ambiente produtivo. “Trata-se de uma iniciativa na qual a cada vaga contratada por uma empresa, a escola SESI está oferecendo outras três vagas totalmente gratuitas, incluindo uniforme e material didático”, explicou.

O analista de Relações Empresariais da FIEMG, Gilmar Peixoto, reforçou que a adequação à NR-1 deve ser compreendida como um processo contínuo, que exige atualização, acompanhamento técnico e evolução das práticas empresariais. Ele destacou que os aprendizados compartilhados no seminário representam um passo importante, mas não esgotam a complexidade do tema, que ainda demandará aprofundamento por parte das empresas para garantir conformidade, segurança jurídica e ambientes de trabalho efetivamente saudáveis.

Com este objetivo a FIEMG Regional ZM continuará trabalhando o assunto em suas ações e treinamentos, reforçando seu papel como parceira do setor produtivo na orientação e suporte às empresas diante das novas exigências regulatórias.

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Graciele Vianna

Imprensa FIEMG

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