FIEMG reconhece importância de subsídio à gasolina, mas ressalta necessidade de equilíbrio fiscal

Medida pode ajudar a conter as pressões inflacionárias decorrentes da intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã e da alta do petróleo, mas deve ser acompanhada de transparência, responsabilidade fiscal e previsibilidade

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) acompanha com atenção o anúncio, feito pelo Ministério da Fazenda nesta sexta-feira (24), da prorrogação, por mais um mês, da subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina. Instituída em 25 de maio, a medida busca reduzir a transmissão da alta internacional do petróleo, provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, para os preços dos combustíveis no mercado brasileiro.

A decisão ocorre em um cenário de agravamento das tensões no Oriente Médio e de nova escalada das cotações internacionais do petróleo. Nos últimos dias, o barril do tipo Brent voltou a superar a marca de US$ 100, ampliando o risco de pressão sobre os preços da gasolina e dos demais derivados no país.

Na avaliação do economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, a prorrogação do subsídio pode ser uma medida válida, em caráter emergencial, para amortecer os efeitos dessa volatilidade sobre consumidores, empresas e a atividade econômica. “A elevação dos preços dos combustíveis impacta diretamente a inflação, o transporte de cargas, os custos logísticos e as cadeias produtivas, reduzindo as margens das empresas e comprometendo sua competitividade”, afirma.

O economista-chefe alerta, contudo, que a continuidade do benefício exige atenção aos impactos sobre as contas públicas. A política deve ser conduzida com transparência, prazo claramente definido e indicação das respectivas fontes de financiamento, de modo a evitar o aumento das incertezas fiscais e preservar as condições necessárias ao investimento e ao crescimento econômico sustentável.

A FIEMG reforça que medidas conjunturais para enfrentar períodos de instabilidade internacional não substituem soluções estruturais. É fundamental avançar em uma agenda que fortaleça a segurança energética do país, reduza os custos sistêmicos, amplie a competitividade da indústria e concilie o controle da inflação com responsabilidade fiscal e previsibilidade regulatória.

Imprensa FIEMG

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